Seis séculos de História e de Histórias…

10 Dezembro 2009

Foi recentemente publicado nos Anais de História de Além-Mar o artigo científico da autoria de Nuno de Santos Loureiro (Universidade do Algarve) e M.ª Manuel Ferraz Torrão (Instituto de Investigação Científica Tropical) intitulado Homens e Tartarugas Marinhas. Seis Séculos de História e Histórias nas Ilhas de Cabo Verde.

Para o consultar carregue AQUI.


campanha 2009 – alguns números e notas…

10 Outubro 2009

A campanha de 2009 decorreu apenas nas praias de Praia Baixo e Achada Baleia, ambas no concelho de São Domingos, Ilha de Santiago.

  • número total de fêmeas reprodutoras de Caretta caretta diferentes, que foram observadas e marcadas com flipper-tags: 27

VISITE-NOS NA FATACIL 09

18 Agosto 2009

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Estaremos à sua espera de 21 a 30 de Agosto…


Porque é que é ainda necessário patrulhar praias em Cabo Verde?

12 Julho 2009

Um leitor do http://www.tartarugascaboverde.org enviou esta fotogaleria que ele mesmo colocou no YouTube. A sequência de imagens capturadas em 2007 é chocante, mas torna evidente a resposta à pergunta: porque é que é ainda necessário patrulhar praias em Cabo Verde? Porque, em definitivo, isto tem de acabar!!!


Tartarugas Marinhas na FATACIL 2009

19 Junho 2009

Logo_Lagoa_redA colaboração da Câmara Municipal de Lagoa com a Universidade do Algarve, no âmbito da Iniciativa para a Conservação de Tartarugas Marinhas na Ilha de Santiago – Cabo Verde, tem já tradição.

Em 2009, essa colaboração vai traduzir-se, entre outras vertentes, na disponibilização de um stand na zona nobre da FATACIL 2009, para a apresentação e divulgação das actividades da UAlg, em torno da conservação deste património natural em risco de extinção.

Esse espaço permitirá assim, entre 21 e 30 de Agosto próximo, mostrar no Algarve parte do trabalho que desde 2007 vem decorrendo nas localidades de Praia Baixo e Achada Baleia, concelho de São Domingos, ilha de Santiago, Cabo Verde. Permitirá, também, distribuir material informativo, vender t-shirts e outros produtos de merchandising, angariar donativos e, com todas essas receitas, reforçar cada vez mais as actividades em curso, que vão contribuindo efectivamente para travar a extinção das tartarugas marinhas.

O Programa SADA, da Ilha do Príncipe, mostrar-se-á publicamente no Algarve, nessa ocasião, pela primeira vez. A estratégia de angariação de algumas receitas decorrerá de igual forma. Espera-se, assim, que não só em Cabo Verde, mas também em São Tomé e Príncipe, a presença da UAlg possa ser reforçada e a extinção das tartarugas marinhas evitada!

Até porque A EXTINÇÃO, quando ocorre, É PARA SEMPRE


Alguns comentários sobre Conservação de Tartarugas Marinhas em Cabo Verde

1 Junho 2009

Cabo Verde é um país e uma sociedade que mudam depressa, que têm facilidade de se adaptar aos novos “ventos” que sopram do Mundo ocidental. Essa é, aliás, uma característica histórica que contribuiu e contribui de forma decisiva para a identidade nacional.

A relação da população civil, dos políticos e das autoridades com as tartarugas marinhas está, também, a mudar rapidamente. Hoje, matar tartarugas marinhas em Cabo Verde, embora continue a ser uma realidade, tem já um cunho negativo muito forte, ligado a uma mentalidade retrógrada que alguns ainda teimam em manter.

Matar tartarugas marinhas começa a posicionar-se, na sociedade caboverdiana, ao lado da violência doméstica, da criminalidade urbana, dos excessos da condução rodoviária, etc. O país já não o quer, não gosta, lamenta que aconteça e procura resolver a situação! O recente Atelier no Sal foi um excelente exemplo disso…

Por isso, se na década de 90 e na mudança do século se esperava que a ULPGC, a Natura 2000 e o CSIC estivessem fortemente centrados na protecção directa de fêmeas reprodutoras nas praias da Boavista, hoje o desafio é bastante diferente.

A protecção directa persistentemente propulsionada por Luis Felipe Jurado-López possibilitou, muito provavelmente, que Cabo Verde tenha ainda hoje um dos mais importantes stocks genéticos de Caretta caretta do Mundo. Essa protecção directa terá de continuar, no presente e no futuro, porque a criminalidade sobre as tartarugas marinhas, sobre as pessoas humanas e seus bens, e sobre o ambiente e a biodiversidade existirão sempre, porque são intrínsecas à natureza humana.

Mas hoje o desafio já não se limita à protecção directa, nas praias da Boavista, do Maio, de São Nicolau, do Sal, de Santiago ou de qualquer outra ilha…
… o desafio está em, urgentemente, formar caboverdianos, capacitados sob um ponto de vista técnico e até científico, para se envolverem com sucesso numa tarefa que é cada vez mais um objectivo estratégico do pais, publicamente afirmado e repetido pelos responsáveis do ambiente e do turismo, e consequentemente da economia.

No dia em que o país tiver distribuídos pelas câmaras municipais, pelos departamentos do governo, pelos tribunais, pelas autoridades policiais e militares, pelas escolas, etc., técnicos competentes, preparados para fazer face a esta dádiva e, simultaneamente, a esta responsabilidade que recai sobre Cabo Verde, de conservar este património natural único, o Mundo ficará melhor.

A gestão das tartarugas marinhas enquanto stock genético e património natural não é tarefa fácil. É, até, bastante complexa! Por isso, para que esta estratégia nacional de conservação tenha hipóteses de sucesso, é indispensável que aqueles que ontem salvaram milhares de tartarugas marinhas nas praias da Boavista (e não só), abram com igual energia e convicção uma nova linha de trabalho: formar e qualificar pessoas. Desde o vigilante nocturno de uma praia até ao responsável máximo da Polícia Nacional; desde o professor da escola primária até ao professor da Universidade de Cabo Verde; desde o pescador até ao juiz; desde o pároco até ao ministro. Todos têm de estar suficientemente informados sobre os valores que estão postos nos dois pratos da balança, para poderem decidir e actuar de forma consciente!

O desafio está hoje, e estará no futuro, em formar depressa e bem muitas pessoas, com diversificadas tarefas na sociedade caboverdiana. A qualificação dos recursos humanos nacionais deverá sempre alinhar pela “fasquia” de cima, nunca pela do facilitismo, da falsa simplicidade, da presunção de que haverá alguma incapacidade em dar um passo em frente.

Só assim será possível a Cabo Verde assumir a sua responsabilidade de conservar as tartarugas marinhas, quando as mesmas estão nas águas costeiras e nas praias do arquipélago. À ULPGC, à Natura 2000, ao CSIC, e também à UAlg, pede-se hoje que atingam o mesmo grau de sucesso na formação dos caboverdianos que tiveram ontem na protecção directa das fêmeas reprodutoras de Caretta caretta. E hoje, essas prestigiadas
instituições, têm valiosos parceiros nacionais como, por exemplo, a DGA, a Uni-CV e o INDP…

Nuno de Santos Loureiro
Universidade do Algarve


Atelier da CVSTN já tem Programa final

12 Maio 2009

tartaruga1Já é conhecido o Programa final do Atelier da CVSTN, que vai decorrer na Ilha do Sal, entre 20 e 22 de Maio próximo.

O Atelier vai sentar à mesma mesa diversas autoridades nacionais e regionais, ONGs nacionais e estrangeiras, e instituições de investigação nacionais e estrangeiras, para debater as múltiplas vertentes da conservação das tartarugas marinhas em Cabo Verde. O objectivo final do Atelier é encontrar uma plataforma alargada de entendimento e colaboração que, por um lado, estabeleça laços crescentes de cooperação, e por outro permita assegurar a adopção de estratégias e metodologias comuns em todo o Arquipélago.

O ponto alto do Atelier será uma Sessão Pública, que decorrerá na tarde de 22 de Maio, a partir das 17 horas, nos Paços do Concelho do Sal. Seis palestras breves apresentarão a todos os presentes os resultados do Atelier. A Sessão terminará com um debate e com uma conferência de imprensa.

Para descarregar o documento CVSTN Pre-Season Meeting carregue AQUI!


DGA divulga Relatório de 2008

23 Abril 2009

tartaruga1A Direcção Geral do Ambiente, do Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos de Cabo Verde, concluiu e divulgou o RELATÓRIO DA CAMPANHA NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DAS TARTARUGAS MARINHAS EM CABO VERDE – 2008.

O documento, com 16 páginas, é da responsabilidade da Drª Sónia Araújo, a Coordenadora do PNCTMCV – Plano Nacional de Conservação de Tartarugas Marinhas em Cabo Verde, e apresenta uma síntese das actividades desenvolvidas quer pela DGA, quer por outras onze instituições nacionais e estrangeiras.

De acordo com o Quadro 1, foram monitorizadas 51 praias do Arquipélago, contabilizados 8,855 ninhos e identificadas 446 capturas.

O dado mais interessante, pela sua novidade, no presente Relatório, é o surgimento da ilha de São Nicolau, que passa a integrar o grupo das ilhas mais importantes para as posturas de Caretta caretta em Cabo Verde. Depois da Boavista e a par com Sal e Maio, esta ilha do Barlavento caboverdiano justifica um significativo incremento de atenção e apoio, nomeadamente por parte da CVSTN.

Para consultar o Relatório carregue AQUI!


Acampamentos Internacionais na Ilha da Boavista 2009

17 Abril 2009

1.  ORGANIZAÇÃO

tartaruga1 A ONG Natura 2000 (Cabo Verde), a Universidad de Las Palmas (Canárias – Espanha), o Consejo Superior de Investigaciones Científicas (Sevilha – Espanha) e a Universidade do Algarve (Portugal) vão organizar, entre finais de Junho e início de Outubro de 2009, dois acampamentos internacionais de voluntários na Ilha da Boavista.

O interesse ambiental dos acampamentos é reconhecido pela Direcção-Geral do Ambiente, de Cabo Verde.

 

2.  OBJECTIVOS
Os acampamentos têm dois objectivos:

  • participar na protecção directa de fêmeas reprodutoras de tartarugas marinhas, da espécie Caretta caretta, quando as mesmas estão nas praias a fazer posturas (a simples presença de voluntários é, por norma, suficiente para dissuadir eventuais caçadores de tartarugas marinhas)
  • participar em actividades de recolha de informação de base, indispensável para censos de fêmeas reprodutoras, ninhos, neonatos, etc., que serão utilizados quer na elaboração de um Atlas de Tartarugas Marinhas em Cabo Verde, quer em outros estudos científicos em curso, sobre esta e outras espécies de tartarugas marinhas.

 

3.  ACAMPAMENTOS
Haverá dois acampamentos distintos:

  • Ervatão, que é um acampamento com anos de experiência
  • Porto Ferreira, que é um acampamento que começará em 2009.

Cada voluntário vai estar duas semanas em Ervatão e uma semana em Porto Ferreira, para ter a possibilidade de conhecer as duas realidades.

Cada acampamento é dividido em três zonas:

  • repouso: tendas de grandes dimensões, onde dormem os monitores e os voluntários.
  • lazer: local de refeições, cozinha, confraternização e higiene pessoal.
  • trabalho: local de tratamento de equipamentos científicos e logísticos, e de armazenamento e manutenção dos mesmos.

Todas as zonas estão cobertas da luz solar directa através de redes de ensombramento. O almoço quente é confeccionado em Sal-Rei (principal vila da Boavista) e transportado para o acampamento. As restantes refeições serão ligeiras e preparadas no acampamento. É importante que os participantes, ao se inscreverem neste programa de voluntariado ambiental, estejam conscientes de que as condições de habitabilidade dos acampamentos são as estritamente necessárias para o desempenho das tarefas previstas…

 

4.  VOLUNTÁRIOS
Existirão sempre 30 voluntários, 15 monitores e 4 directores de acampamentos, distribuídos por Ervatão e Porto Ferreira.
Os voluntários, monitores e directores dos acampamentos serão provenientes de EspanhaPortugal e Cabo Verde.

Estudantes universitários têm sido, ano após ano, muito frequentes, nestes acampamentos internacionais. E a generalidade dos voluntários que, em anos interiores, participaram afirma que a experiência foi exigente, cansativa, mas inesquecível…
… e muitos voltam a candidatar-se para o ano seguinte!

Mas os acampamentos estão abertos a todos, independentemente da idade, nacionalidade ou formação académica. Basta ter uma enorme capacidade de participar!

Entretanto, para antever o que pode um destes acampamentos na Boavista, em 2009…

 

5.  CALENDÁRIO DE VOLUNTARIADO
Cada voluntário estará três semanas na ilha da Boavista e pode participar numa das seis campanhas.

  1. campanha: 22 de Junho a 12 de Julho
  2. campanha: 13 de Julho a 2 de Agosto
  3. campanha: 3 a 23 de Agosto
  4. campanha: 24 de Agosto a 13 de Setembro
  5. campanha: 14 de Setembro a 4 de Outubro

Estas datas deverão ter pequenos ajustamentos, porque ainda não são conhecidas as datas dos voos directos para o Aeroporto Internacional de Sal-Rei (Boavista); vão organizar-se voos em grupo, para ter preços mais baixos.

 

6.  HORÁRIOS E TAREFAS DO TRABALHO VOLUNTÁRIO
Haverá três turnos de trabalho voluntário: dois nocturnos e um matinal.
Os voluntários, monitores e directores irão alternando entre os diversos turnos.

turnos nocturnos

  • registo de rastos
  • identificação e marcação de fêmeas reprodutoras
  • biometria de fêmeas reprodutoras
  • identificação de ninhos
  • translocação de ninhos, se necessário
  • contagem, biometria e peso de neonatos

turno diurno

  • censo detalhado de rastos e ninhos
  • comprovação de que não há quaisquer fêmeas reprodutoras perdidas  nas ou acidentadas nas dunas
  • translocação de ninhos, se necessário
  • registo de eventuais tartarugas capturadas e/ou ninhos predados

 

7.  FORMAÇÃO TÉCNICA TEÓRICA E PRÁTICA DOS VOLUNTÁRIOS
Todos os voluntários receberão, no início da campanha, formação técnica teórica e prática ministrada por docentes universitários e por investigadores qualificados. Haverá também um Manual Técnico, que será distribuído a todos os voluntários.

No final da campanha, os voluntários receberão um Certificado de Participação.

 

8.  CUSTOS A SUPORTAR PELOS VOLUNTÁRIOS

  • passagens de avião (o preço actual da TAP, para a ligação aérea Lisboa > Sal > Boavista > Sal > Lisboa ronda os EUR 1,000.00; estão-se a estudar alternativas mais económicas…)
  • EUR 225.00 para alimentação

 

9.  MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE
Deve ser feita por email, para tartarugascaboverde@gmail.com, com identificação pessoal completa, indicando de forma sucinta a justificação do interesse em participar neste programa de voluntariado, breve curriculum pessoal, experiência anterior com tartarugas marinhas (se existir, mas não é indispensável) e qual a campanha em que pretende participar.
Para o mesmo endereço de email podem ser enviadas todas as dúvidas e pedidos de mais informações.

 

10.  INFORMAÇÕES UTEIS PARA OS VOLUNTÁRIOS
material necessário

  • roupa para trabalho nocturno: roupa de cor escura, com calças e manga comprida, e impermeável ligeiro, para as noites de alguma chuva
  • roupa para o dia: de verão, sem esquecer chapéu para o sol
  • sapatos leves e adequados para andar sobre zonas de alguma pedra e sandálias de praia
  • lanternas, se possível com filtro para luz vermelha
  • pilhas
  • relógio de pulso
  • saco-cama, esteira e rede mosquiteira
  • anti-mosquitos e protector solar

vacinas recomendáveis

  • hepatite A e B
  • tétano
  • febre tifóide

outras informações

  • para entrar em Cabo Verde é necessário visto, emitido pela Embaixada de Cabo Verde em Lisboa, ou respectivos Consulados (por exemplo, em Portimão)
  • é necessário um seguro de viagem e de saúde, que garanta os custos de repatriamento antecipado, em caso de necessidade
  • as pessoas que necessitem medicamentos especiais devem trazê-los consigo, já que poderá ser difícil obtê-los na ilha da Boavista
  • as pessoas que pratiquem um regime alimentar particular (vegetarianos, macrobióticos, etc.) devem trazer alimentos não perecíveis consigo, já que poderá ser difícil obtê-los na ilha da Boavista
  • nos acampamentos é expressamente proibido o consumo de álcool e droga

Tartarugas de Cabo Verde entre as 7 Maravilhas do Atlântico

29 Março 2009

O Expresso, o semanário português de referência e maior índice de leitura, procurou, procurou e encontrou as Sete Maravilhas do Atlântico. Apresentou-as aos seus leitores no passado sábado, 28 de Março, na edição em papel, e também na sua edição online, no dia seguinte.

expressoAs Tartarugas Marinhas em Cabo Verde integram essa lista. É dado especial destaque às ilhas da Boavista, do Maio e de Santiago, bem como às actividades desenvolvidas pela Universidade do Algarve, com o apoio do Oceanário de Lisboa.          (clique na imagem para ler toda a notícia publicada no Expresso online…)

Há, também, nessa reportagem, uma breve referência ao Programa SADA, actualmente a arrancar na ilha do Príncipe (São Tomé e Príncipe)…